
Com o Natal à porta vem-me à lembrança alguns trechos de memória infantil.
Lembro-me da minha mãe, que no dia 24 estava sempre muito ocupada, ou a arranjar as comidas ou a ir com muita pressa ao quarto (sempre achamos muito estranho ir tantas vezes ao quarto).
Acreditávamos no Pai Natal mas desconfiávamos que ele e a minha mãe tinham um tipo de avença ou contrato, porque muitas vezes o que dizíamos à minha mãe o Pai Natal ficava a saber.
Claro que escrevíamos a carta ao Pai Natal e a entregávamos à minha mãe para que ela, que tinha um canal priveligiado, a entregasse ao Pai Natal ou enviasse por correio. Acreditei nisso até aos 11 ou 12 anos. Confesso que foi até muito tarde, mas a culpa disso foi da minha mãe, que fazia as coisas tão bem que nós, eu e o meu irmão, nunca desconfiamos de nada.
Quando já desconfiávamos, depois de ouvir na escola que era mentira a existência de tão simpático senhor, e um colega ter apanhado na cara por ter dito essa tão semelhante mentira, eu e o meu irmão tínhamos uma missão a cumprir - descobrir a verdade.
Então, durante dias a fio procuramos em todos os cantos à casa, dentro dos armários, na garagem, no sótão, debaixo das camas, no carro, na roulotte, em todas as divisões da casa, na arca frigorifica, na casa dos caseiros, em todos os sacos, malas, cómodas, tudo que tivesse portas ou gavetas. Nada. Não descobrimos nada.
Nesse Natal, mais uma vez fomos surpreendidos. Por um telefonema do Pai Natal, pela campainha a tocar, um sino que dava sinal das prendas terem chegado. Mistério. A minha mãe nunca saía da nossa beira. Durante anos não percebemos como o fazia. Só podia ser mesmo o Pai Natal. Durante anos mantive essa lembrança. O Pai Natal existe.
A minha maior desilusão foi no ano que descobri a verdade. Não apanhei a minha mãe em flagrante, não vi as prendas em lado nenhum, não desconfiei de nada. Apenas recebi a informação de forma fria de dura - "O que pensas tu, achas que o Pai Natal existia mesmo? É a mãe que faz tudo." Foi assim, fria, dura, calculista. Aquela que foi a minha irmã mais velha, disse isto assim.
Durante alguns momentos revivi os anos passados e descobri as 'falhas'. O telefone tocava, mas a minha mãe estava ao meu lado. Eram uns vizinhos amigos que ligavam. O sino de facto tocava, quando a minha mãe tinha de ir a correr ao quarto de banho, mesmo na altura que o Pai Natal chegava. A campainha tocava, mas a minha mãe estava connosco, era o vizinho da frente, e todos os anos algo diferente. Certo é, que mesmo quando tive essa desilusão, olhei para o esforço constante da minha mãe para manter a chama viva do espírito do Natal e nunca mais pensei se era verdade ou não que o Pai Natal existia. De facto, existe. Uma Mãe com uma vontade enorme de nos ver crescer, melhorar a cada dia, que fez todos os possíveis para que nada nos faltasse. Que lutou muito e por muito tempo. Que fez de mim uma mulher que ainda acredita no Pai Natal e que todos os anos espera por uma surpresa, e pelo carrinho de rolamentos que nunca me deu.
Lembro-me da minha mãe, que no dia 24 estava sempre muito ocupada, ou a arranjar as comidas ou a ir com muita pressa ao quarto (sempre achamos muito estranho ir tantas vezes ao quarto).
Acreditávamos no Pai Natal mas desconfiávamos que ele e a minha mãe tinham um tipo de avença ou contrato, porque muitas vezes o que dizíamos à minha mãe o Pai Natal ficava a saber.
Claro que escrevíamos a carta ao Pai Natal e a entregávamos à minha mãe para que ela, que tinha um canal priveligiado, a entregasse ao Pai Natal ou enviasse por correio. Acreditei nisso até aos 11 ou 12 anos. Confesso que foi até muito tarde, mas a culpa disso foi da minha mãe, que fazia as coisas tão bem que nós, eu e o meu irmão, nunca desconfiamos de nada.
Quando já desconfiávamos, depois de ouvir na escola que era mentira a existência de tão simpático senhor, e um colega ter apanhado na cara por ter dito essa tão semelhante mentira, eu e o meu irmão tínhamos uma missão a cumprir - descobrir a verdade.
Então, durante dias a fio procuramos em todos os cantos à casa, dentro dos armários, na garagem, no sótão, debaixo das camas, no carro, na roulotte, em todas as divisões da casa, na arca frigorifica, na casa dos caseiros, em todos os sacos, malas, cómodas, tudo que tivesse portas ou gavetas. Nada. Não descobrimos nada.
Nesse Natal, mais uma vez fomos surpreendidos. Por um telefonema do Pai Natal, pela campainha a tocar, um sino que dava sinal das prendas terem chegado. Mistério. A minha mãe nunca saía da nossa beira. Durante anos não percebemos como o fazia. Só podia ser mesmo o Pai Natal. Durante anos mantive essa lembrança. O Pai Natal existe.
A minha maior desilusão foi no ano que descobri a verdade. Não apanhei a minha mãe em flagrante, não vi as prendas em lado nenhum, não desconfiei de nada. Apenas recebi a informação de forma fria de dura - "O que pensas tu, achas que o Pai Natal existia mesmo? É a mãe que faz tudo." Foi assim, fria, dura, calculista. Aquela que foi a minha irmã mais velha, disse isto assim.
Durante alguns momentos revivi os anos passados e descobri as 'falhas'. O telefone tocava, mas a minha mãe estava ao meu lado. Eram uns vizinhos amigos que ligavam. O sino de facto tocava, quando a minha mãe tinha de ir a correr ao quarto de banho, mesmo na altura que o Pai Natal chegava. A campainha tocava, mas a minha mãe estava connosco, era o vizinho da frente, e todos os anos algo diferente. Certo é, que mesmo quando tive essa desilusão, olhei para o esforço constante da minha mãe para manter a chama viva do espírito do Natal e nunca mais pensei se era verdade ou não que o Pai Natal existia. De facto, existe. Uma Mãe com uma vontade enorme de nos ver crescer, melhorar a cada dia, que fez todos os possíveis para que nada nos faltasse. Que lutou muito e por muito tempo. Que fez de mim uma mulher que ainda acredita no Pai Natal e que todos os anos espera por uma surpresa, e pelo carrinho de rolamentos que nunca me deu.

3 comentários:
eu é que não sei onde se compra um carrinho de rolamentos!
a mim sempre me disseram que o Pai natal era uma mistificação. mas sempre tive presentres do meu Pai Natal: o meu pai.
csd
Grande MÃE!
é mesmo
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