
A Ana e o Luís já se conheciam de vidas passadas.
Cruzaram-se por várias vezes, em alguns momentos. Mas pertenciam a outras vidas.
Não estavam enquadrados. Não viviam no mesmo tempo nem no mesmo contexto.
Eram duas pessoas desligadas, isoladas e pouco felizes.
Pensavam que eram felizes. Sim, eram, pensavam.
Tinham uma vida própria e também faziam parte da vida de outra pessoa. Eram duas pessoas.
Mas não eram felizes. Viviam a vida dos outros.
Viveram sempre conforme a outra pessoa, que pensavam partilhar a sua vida, queria. Iam aos sítios que a outra pessoa queria e gostava. Viam o que a outra pessoa queria ver. Comiam o que a outra pessoa gostava, não que isso lhes importasse muito. De facto estavam habituados a abdicar do que gostavam pelo outro. Estavam habituados a ceder.
Pensavam que isso era amor. Que amar era abdicar pelo outro. Que era ceder sempre. Mas, depressa percebiam que o outro nunca abdicava por eles. Então os outros não amavam? Podiam amar, mas não sabiam abdicar. Habituavam-se depressa que quem tinha de deixar de fazer, de ter, eram eles. A Ana e o Luís.
Cruzaram-se por várias vezes, em alguns momentos. Mas pertenciam a outras vidas.
Não estavam enquadrados. Não viviam no mesmo tempo nem no mesmo contexto.
Eram duas pessoas desligadas, isoladas e pouco felizes.
Pensavam que eram felizes. Sim, eram, pensavam.
Tinham uma vida própria e também faziam parte da vida de outra pessoa. Eram duas pessoas.
Mas não eram felizes. Viviam a vida dos outros.
Viveram sempre conforme a outra pessoa, que pensavam partilhar a sua vida, queria. Iam aos sítios que a outra pessoa queria e gostava. Viam o que a outra pessoa queria ver. Comiam o que a outra pessoa gostava, não que isso lhes importasse muito. De facto estavam habituados a abdicar do que gostavam pelo outro. Estavam habituados a ceder.
Pensavam que isso era amor. Que amar era abdicar pelo outro. Que era ceder sempre. Mas, depressa percebiam que o outro nunca abdicava por eles. Então os outros não amavam? Podiam amar, mas não sabiam abdicar. Habituavam-se depressa que quem tinha de deixar de fazer, de ter, eram eles. A Ana e o Luís.
Porque teriam de abdicar sempre? Porque não podiam conciliar tudo e serem felizes?
Não sabiam. E iam vivendo assim, a pensar que amar era deixar o outro escolher.
Mas a Ana e o Luís não eram totalmente felizes. Questionavam sempre as relações. Tiveram as suas experiências, choros, desilusões. Acreditavam sempre que era desta que iam ser felizes. Mas não. Não eram, de todo.
Mas a Ana e o Luís não desistiam. A Ana chorou muito e muitas vezes, Provavelmente mais vezes do que devia. O Luís era mais firme. Escondia-se. Não chorava. Mudava.
Não sabiam. E iam vivendo assim, a pensar que amar era deixar o outro escolher.
Mas a Ana e o Luís não eram totalmente felizes. Questionavam sempre as relações. Tiveram as suas experiências, choros, desilusões. Acreditavam sempre que era desta que iam ser felizes. Mas não. Não eram, de todo.
Mas a Ana e o Luís não desistiam. A Ana chorou muito e muitas vezes, Provavelmente mais vezes do que devia. O Luís era mais firme. Escondia-se. Não chorava. Mudava.
A Ana e o Luís nunca pensavam um no outro. Aliás, nunca se lembravam que existiam, mesmo sabendo da existência de um e de outro.
Um dia, numa tarde de verão, a Ana viu o Luís. O Luís viu a Ana. Sentiram algo? Não sei, não deu tempo para sentirem. A Ana chegou apressada e ele saiu apressado. Mas ainda trocaram olhares. A Ana estremeceu quando olhou para trás e viu-o ir-se embora. Pensou...não. Não pensou. Passou o pensamento. O Luís ficou a pensar. De onde a conheço. Não me lembro. Mas conheço-a.
Um dia, numa tarde de verão, a Ana viu o Luís. O Luís viu a Ana. Sentiram algo? Não sei, não deu tempo para sentirem. A Ana chegou apressada e ele saiu apressado. Mas ainda trocaram olhares. A Ana estremeceu quando olhou para trás e viu-o ir-se embora. Pensou...não. Não pensou. Passou o pensamento. O Luís ficou a pensar. De onde a conheço. Não me lembro. Mas conheço-a.
O dia passou. Não pensaram mais no momento comum. Foi mais um, entre outros. Outros momentos que tiveram e que passaram. Cada um tinha a sua vida.
No dia seguinte, estava um dia de sol, um dia de verão soalheiro, quente, ardente. A Ana resolveu ir até à praia, algo que fazia nesse verão, todos os fins-de-semana. Mas esse sábado estava mais quente que o normal. O Luís teve o mesmo momento.
Trabalharam toda a semana e precisavam de relaxar. A praia é algo que nos faz relaxar. Nada é melhor que o verão, a praia, a areia, as rochas, o cheiro do protector solar, o sal na pele, a água do mar a bater nas rochas.
No dia seguinte, estava um dia de sol, um dia de verão soalheiro, quente, ardente. A Ana resolveu ir até à praia, algo que fazia nesse verão, todos os fins-de-semana. Mas esse sábado estava mais quente que o normal. O Luís teve o mesmo momento.
Trabalharam toda a semana e precisavam de relaxar. A praia é algo que nos faz relaxar. Nada é melhor que o verão, a praia, a areia, as rochas, o cheiro do protector solar, o sal na pele, a água do mar a bater nas rochas.
O Luís estava com calor, e como gosta de fazer exercício e resolveu ir nadar.
A Ana adora água, mas a água do mar é sempre fria, e então desde à muito que entrar na água do mar é difícil. Mas esse dia, algo a puxou para a água. Teve uma vontade estranha de ir mergulhar. E foi. Entrou na água. Estava quente. Estranhamente quente. Mergulhou e quando saiu de dentro da água olhou para o lado e estava o Luís. Ficaram ali, parados, a olhar um para o outro. E por muito que tivessem falado, souberam naquele mesmo instante que a vida deles se uniu.
A Ana adora água, mas a água do mar é sempre fria, e então desde à muito que entrar na água do mar é difícil. Mas esse dia, algo a puxou para a água. Teve uma vontade estranha de ir mergulhar. E foi. Entrou na água. Estava quente. Estranhamente quente. Mergulhou e quando saiu de dentro da água olhou para o lado e estava o Luís. Ficaram ali, parados, a olhar um para o outro. E por muito que tivessem falado, souberam naquele mesmo instante que a vida deles se uniu.
Passaram a ser uma só pessoa.
Um só.
Dois em Um.

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