quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Reuniões de pais e encarregados de educação


Ontem estive presente em mais uma reunião de pais e encarregados de educação.


Iniciou um novo período na escola e então temos de conversar sobre o período lectivo anterior e tirar as devidas conclusões.
Tópicos importantes numa reunião de pais:
- Notas
- Faltas
- Pavilhão desportivo
- As regras
- A Gripe e consequências
- A entrada na escola vedada aos pais

A reunião inicia sempre atrasada e termina sempre tarde.
Ontem foi o trânsito que impediu que os pais chegassem a horas. Eu, inclusive. De facto a hora a que é marcada a reunião não me impede de estar presente, às 18.30, para mim é perfeitamente aceitável. Mas consigo em meia dúzia de minutos encontrar várias justificações perfeitamente aceitáveis para alguns pais não estarem presentes (mas que por acaso na turma da minha filha, desde a 1ª classe, e sendo esta a 3ª escola que frequenta, porque muda a cada ciclo, a presença dos pais é assustadoramente boa). Então listo algumas boas desculpas, perdão, razões:
- Trânsito – esta só justifica o atraso
- Horário de saída do trabalho
- Não ter a quem deixar o(s) filho(s) enquanto vai à reunião, porque às 18.30 já não tem aulas;
- A impossibilidade do outro progenitor para ficar com o(s) filho(s) em casa, por estas ou outras razões;
- Actividades desportivas/artísticas/musicais do(s) filho(s) que obrigam a uma ginástica diária dos pais, ou de um dos pais;
- Reunião de trabalho marcada à última da hora;
- Doença do encarregado de educação;
- Falta de transporte próprio;
- A existência de mais reuniões marcadas para o mesmo dia e para a mesma hora (e que por vezes é conjugada com uma outra razão acima descrita);
- E outras mais.

Depois de iniciada a reunião com os pais presentes e os atrasados a chegarem a conta gotas e darem a justificação que eu dei (e que por sorte a própria professora soube por fonte segura ser verdade – acidente no nó da auto-estrada) a reunião inicia com os tópicos acima.
Não preciso de referir nada sobre as notas, as faltas, mas o pavilhão desportivo vai merecer ser referido.
Os miúdos, por causa do plano de requalificação das escolas a nível nacional, estão sem pavilhão desportivo desde o início do ano. A falta deste pavilhão é compensada com aulas práticas, que não vejo qualquer entrave, e com a ida a um pavilhão desportivo da junta de freguesia, com transporte assegurado pela escola e, de acordo com a própria escola (personificada) com as devidas regras e normas de segurança. Também não coloco qualquer entrave. Os miúdos também não. Mas ao que parece, e de facto é, a nota a educação física não foi afixada porque 50% da nota é dada pela parte prática e esta medida tomada não veio a tempo para os meninos terem 50% de aulas práticas. Então, por decisão do concelho executivo, não são lançadas notas este período lectivo e a decisão fica em acta. A mim não me faz qualquer diferença, confesso. A minha filha não está num ano crítico de médias. Mas de facto não me parece correcto não terem qualquer avaliação. Se a avaliação é composta por 50% de prática e 50% de teórica, não vejo qualquer problema que esses 50% teóricos sejam todos dados agora, no Inverno, que não tem condições para praticarem qualquer desporto, que há dias que tem de ir para o tal pavilhão da freguesia e que chove ou está frio, que o facto de ser distante da escola, e a escola ter de garantir o regresso dos alunos à mesma, alguns perdem o comboio ou camioneta, que chegam atrasados a outras actividades que tem, e que não podem ser dispensados desta aula, mesmo que a actividade seja desportiva, para depois não terem nota.

Primeira nota em relação ao item ‘Regras’: as regras de faltarem à aula de educação física para irem ter outra actividade desportiva, não podem ser quebradas – decisão e conclusão da primeira reunião de pais, sobre a inexistência de pavilhão e sobre a existência de muitos alunos com actividades extracurriculares desportivas.

Segunda nota em relação ao item ‘Regras’: “as regras são criadas para serem quebradas”. Como? Eu sou uma defensora acesa das regras. As regras são criadas para que tudo funcione na maior das normalidades, com ordem, com civismo, mesmo que incutido, educa a minha filha com regras, para obedecer e respeitar as regras, e de repente a propósito de uma decisão que é mais prática para algumas pessoas, neste caso, professores, quebra-se uma regra base – dar nota – porque não cumpriu num trimestre os 50% de aulas práticas e teóricas? Não percebi. Mas vou exigir uma explicação por escrito para guardar no meu livro de actas.

A Gripe, mais uma vez, foi algo de assunto na reunião. Este trimestre as notas não foram tão boas porque muitos meninos tiveram de faltar às aulas e como alguns professores não conhecem os alunos dos anos anteriores não tem termo de comparação. Tudo bem. Por isso é que existem registos, bases de dados, reuniões de professores, etc. Mas, a Gripe ainda vai no início. Quero ver como vai ser este período. Mas o que me preocupa são as regras criadas pela escola, ministério, estado, seja qual for. A criança ou adulto, desde que tenha um sintoma – 1! tem de ficar em casa uma semana – 7 dias, que será o tempo para o vírus incubar, desenvolver ou não e ficar boa. Se não foi a gripe, e tiver faltado por um sintoma tem de ir ao médico e levar declaração a informar que não está com a gripe A. O médico sem fazer a análise não se vai arriscar a passar a dita declaração. A análise custa x. Os seguros de saúde não pagam, ir ao hospital, só caso se justifique – um sintoma apenas não justifica, a meu ver, e a criança fica em casa feliz da vida 7 dias. Um dos pais, porque não tem empregada, avó ou tia, disponível, tem de faltar ao trabalho. Se tem a sorte de trabalhar numa empresa estável, com boas politicas sociais, não tem qualquer problema, mas se trabalha numa empresa, fábrica, loja, entre outros, sem direitos, sem politicas sociais, pode ficar em apuros. Se a mãe, que é quem normalmente fica em casa, é empregada doméstica, tem de faltar, e provavelmente a família onde trabalha fica sem o suporte que necessita para os filhos, e poderem irem trabalhar, e a mãe tem de ficar em casa, e por aí fora. Ou então a criança fica sozinha em casa. Ou então vai para o emprego da mãe. Ou então esconde o sintoma e vai na mesma para a escola. Ou falta os 7 dias e depois vê as notas a serem baixadas.

O ultimo item, e para mim, mais problemático – a entrada na escola aos pais é vedada.
Como é possível que a entrada na escola esteja vedada aos pais? Então eu como mãe não tenho o direito de entrar na escola da minha filha? Pensamos um pouco e, claro! Obviamente se todos os pais quisessem entram na escola para ver, controlar, verificar os filhos, seria um caos. Depois percebi que apenas um pai se referiu a estar vedado ao acesso. A razão? Não queria dar uma justificação à sua entrada. Queria apenas entrar para controlar, ver ou estar com a filha. Motivo: divorcio litigioso. Meu estado: descansada. Obviamente que não deverão ter acesso livre e sem razão à escola. Não me agradaria nada que andassem adultos, não sendo docentes ou funcionários da escola por lá a circular. Ainda bem.

As razões para as reuniões terminarem tarde é tudo o acima descrito!

2 comentários:

Claudia Sousa Dias disse...

parece-me pior do que a cimeira de Copenhaga...


csd

Claudia Appelt disse...

Na cimeira não estive, mas garanto-te que estas reuniões são mesmo piores. Muito se discute, pouco se resolve e trazemos mais problemas do que haviam à chegada:)