Quando nasci o país estava em crise, politica essencialmente. Tinha-se dado a Revolução dos Cravos e os ânimos andavam exaltados. Nasciam partidos politicos como cogumelos, Nasciam ideologias todos os dias. Acredito que quem vivenciou esses momentos deve ter uma riqueza incalculavel de saber e de cultura.
Depois começou a surgir a crise social e a moral. Cada vez mais se olha para o seu umbigo. Cada vez mais se quer a independencia, os filhos dos pais, as mulheres dos maridos. Os filhos vão cada vez mais cedo para as escolas, abrem-se infantários, creches. As mulheres querem trabalhar. Os homens querem estar mais por casa. Trocam-se os papeis, as funções dentro das familias. Já não se tolera, já não se aceita. Depois veio a crise económica. Todos queriam ter a sua casa sem esperar muito. O carro novo. As roupas da nova coleção. Material novo todos os anos para a escola. Os pacotinhos de sumo e de bolachas para o lanche. Abdicou-se do saco do pão com manteiga, do copo de leite fervido. Abdicou-se das roupas dos irmão mais velhos, das galochas para o inverno e das sandálias de borracha para o verão. Abdicou-se da marmita para o almoço no local de trabalho. Agora mais do que a crise económica há uma crise de identidade. Voltou-se a tudo o que se abdicou antes. Parece a crise dos 40, quando os homens tentam descobrir a adolencencia perdida.
Para mim parece mais uma moda. Anda-se de bicicleta para todo o lado, volta-se para casa dos pais, renovam-se os materiais escolares. Anda-se à procura de roupas perdidas nos armários, compram-se roupas usadas e dão-se roupas. É uma moda como outra. De repente todos aderiram ao re-use. Ninguém tem vergonha de ser visto nas lojas em segunda mão ou nas feiras. De repente surgem programas na TV com dicas para a crise. Que os materiais da escola devem ser reutilizados, as mochilas renovadas. Compram cadernos mais baratos e decoram-se em casa. Não comprar roupas mas trocar entre familia ou amigos. Não gastar dinheiro em lanches nas escolas mas levar de casa, etc.
Como sempre é uma questão de moda. Se o vizinho leva o almoço de casa eu também posso levar! Se o vizinho vai de comboio para o trabalho eu também posso ir. Passamos sempre de um extremo ao outro. Não percebo como é que as pessoas não são honestas consigo próprias e não deixam de pensar pela cabeça dos outros. É quase como um ex-fumador. É sempre o que chateia o que ainda fuma, mas quando era fumador compulsivo, que até a meio da refeição acendia o cigarro, ai daquele que dissesse algo.
Por isso é que me considero uma pessoa feliz e com sorte. Feliz porque sempre fiz e continuo a fazer o que acho certo. Porque não me deixo levar por modas. Quando quiser vou almoçar o meu hamburger, quando quiser levo a sopa de casa. Vou continuar a trocar as roupas e a reutilizar os materiais, mas sempre que me apetecer vou comprar mais um trapinho novo. Não deixem que a crise ou a moda vos atropele.
terça-feira, 11 de outubro de 2011
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